Fim da Escala 6×1: O Que Muda com a Redução da Jornada para 36 Horas

Fim da Escala 6x1 - Redução da Jornada de Trabalho para 36 Horas Semanais

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Fim da Escala 6×1: O Que Muda com a Redução da Jornada de Trabalho para 36 Horas?

Uma mudança histórica nas relações de trabalho brasileiras está em debate no Congresso Nacional e promete ser um dos temas mais quentes de 2026. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, ganhou força e pode alterar profundamente o dia a dia de milhões de trabalhadores e empresas em todo o país.

Este artigo serve como um guia completo para entender o que está em jogo, quais são os direitos propostos e como essa transformação pode impactar a economia, as relações de emprego e a qualidade de vida no Brasil.

O que é a PEC do Fim da Escala 6×1?

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 58, e a Constituição Federal, em seu artigo 7º, inciso XIII, estabelecem que a jornada de trabalho não pode ser superior a 8 horas diárias e 44 horas semanais. A escala 6×1, amplamente adotada em setores como comércio, serviços e indústria, significa que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho consecutivos para ter direito a apenas um dia de folga semanal.

A PEC 148/2015, em tramitação avançada no Senado Federal, propõe uma alteração significativa neste cenário. Seus pontos principais são:

  • Redução da Jornada Semanal: O limite máximo de trabalho passaria de 44 para 36 horas semanais, sem redução salarial.
  • Aumento do Descanso Semanal: O repouso semanal remunerado seria ampliado de um para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos.
  • Fim da Escala 6×1: Com dois dias de folga garantidos por semana, a escala de seis dias de trabalho por um de descanso seria definitivamente extinta.

Como Está a Tramitação da Proposta no Congresso?

A proposta já deu um passo importante ao ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de dezembro de 2025, com o relatório do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Contudo, o caminho legislativo ainda é longo. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC precisa ser aprovada em duas votações no Plenário do Senado e em mais duas na Câmara dos Deputados, exigindo um quórum qualificado de pelo menos 49 senadores e 308 deputados em cada votação.

O tema é considerado uma prioridade pela base governista e pela Presidência da República para 2026. Há a possibilidade de o Palácio do Planalto enviar um novo projeto de lei em regime de urgência constitucional para acelerar a tramitação, demonstrando a relevância política que o assunto adquiriu.

Implementação Gradual: Uma Transição Planejada

Um dos aspectos mais importantes da PEC é que ela prevê um período de transição para que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras. A implementação seria gradual, evitando impactos abruptos na economia:

  • Ano da Publicação da Lei: As regras atuais de 44 horas semanais e um dia de folga seriam integralmente mantidas, funcionando como um período de preparação.
  • Ano Seguinte à Publicação: O descanso semanal passaria de um para dois dias e a jornada de trabalho começaria a ser reduzida progressivamente.
  • Após 6 Anos: Os novos direitos estariam plenamente instituídos em todo o território nacional, com a jornada de 36 horas semanais e dois dias de descanso consolidados.

Essa transição gradual é fundamental para permitir que os empregadores reorganizem suas escalas, contratem novos funcionários e ajustem seus modelos de negócio sem comprometer a sustentabilidade das operações.

Quais os Impactos Esperados na Economia e na Sociedade?

O debate sobre a redução da jornada é complexo e envolve diferentes perspectivas. De um lado, defensores da medida apontam para uma série de benefícios sociais e econômicos. Um estudo recente da Unicamp, divulgado pelo governo federal, estima que a redução da jornada para 36 horas semanais poderia gerar até 4,5 milhões de novos empregos e aumentar os níveis de produtividade em 4%.

Argumenta-se que trabalhadores mais descansados são mais produtivos, criativos e menos propensos a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Além disso, mais tempo livre pode aquecer setores da economia ligados ao lazer, cultura, turismo e gastronomia, gerando um efeito multiplicador positivo.

Por outro lado, setores empresariais, especialmente o comércio e a indústria, expressam preocupação com o aumento dos custos de contratação, a necessidade de reposição de mão de obra e o possível impacto inflacionário. Um manifesto de mais de 60 entidades empresariais defende que a discussão considere ajustes por setor e região, reconhecendo as diferentes realidades econômicas do país. A discussão no Congresso busca encontrar um equilíbrio que permita avançar na qualidade de vida do trabalhador sem comprometer a competitividade das empresas brasileiras.

Contexto Histórico: A Evolução da Jornada no Brasil

Vale lembrar que a última grande mudança na jornada de trabalho no Brasil ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando o limite foi reduzido de 48 para 44 horas semanais. Antes disso, a CLT de 1943 já havia estabelecido o limite de 8 horas diárias. A discussão atual representa, portanto, a continuidade de um processo histórico de valorização do tempo do trabalhador e de busca por melhores condições de vida.

No cenário internacional, diversos países já adotaram jornadas reduzidas. Nações europeias como França (35 horas), Alemanha e Dinamarca praticam jornadas médias inferiores a 40 horas semanais, frequentemente com resultados positivos em produtividade e satisfação dos trabalhadores.

Conclusão: Prepare-se para o Novo Futuro do Trabalho

A PEC do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho representa mais do que uma simples alteração legislativa; ela reflete uma discussão global sobre o futuro do trabalho, produtividade e bem-estar. Acompanhar a tramitação desta proposta é fundamental para que trabalhadores e empregadores possam se preparar adequadamente para as transformações que virão.

Independentemente do resultado final no Congresso, a tendência mundial aponta para jornadas mais curtas e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Estar informado é o primeiro passo para se adaptar a essa nova realidade.

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